Enquanto isso em Wakanda: a prévia

Atualizado: Fev 14

“É tempo de formar novos quilombos,

em qualquer lugar que estejamos,

e que venham os dias futuros, salve 2020,

a mística quilombola persiste afirmando:

‘a liberdade é uma luta constante’”.

Tempo de nos aquilombar,

Conceição Evaristo


Eu preciso falar do “Enquanto isso em Wakanda” porque eu literalmente sonhei com uma festa maravilhosa, com iluminação moderna, sofisticação e tecnologia. Nesse sonho eu sentia a energia de um ambiente revolucionariamente disruptivo e ao mesmo tempo ancestral. E o melhor: quando eu fiz o teste do pescoço eu vi diversos Nkisis, Rainhas e Reis, com suas peles pretas, tranças e blacks, e com indumentárias que reluziam. Nossa, que sonho!




Pena que acordei e percebi que não tínhamos nada próximo a isso em nossa região. Falo de uma festa afrocentrada, que nos ajude a resgatar as identidades que nos foram negadas, mas ao mesmo tempo nos associe a um presente-futuro de grandeza, modernidade e prosperidade. Algo produzido por nós e para nós e que não limite os nossos corpos aos estereótipos de dor e sofrimento. Ou seja, um espaço dedicado às nossas vozes e não às nossas cicatrizes, parafraseando Emicida.



Nós, enquanto integrantes de um grupo subalternizado, precisamos nos reconhecer enquanto pessoas coletivas, como bem aconselha Angela Davis. Precisamos reunir os nossos fragmentos espalhados pela lógica colonialista, contrapondo o individualismo burguês com um aquilombamento autossustentável.


Isso vem sendo feito em nosso Estado há anos, com destaque dos movimentos negros, da rede de afroempreendedores, da Terça Negra, da Comissão de Igualdade Racial da OAB, dos GT’s Racismo de variados órgãos, da Coletiva Abayomi Juristas Negras, bem como de cada nação de Maracatu, Coco, Afoxé, Caboclinho e demais pontos culturais que continuam resistindo, mesmo diante de todas as tentativas de desmonte e atos de opressão


E o que propomos de novo? Propomos um espaço dedicado ao afrofuturismo, como estética cultural, filosófica e artística, em uma festa que combine elementos de ficção, história, fantasia, arte africana e arte dispórica, não apenas para revisar, interrogar e reexaminar os eventos históricos, mas para nos levar a um futuro no qual as estruturas racistas não mais nos limitem.


E nada melhor que dar início a esse sonho em uma festa tão negra quanto o carnaval. E aqui aproveito para agradecer de coração à Manoela Alves, Débora Gonçalves, Patrícia Oliveira e Gabriela Tanabe, com quem sempre sonho mais alto. Obrigada por entrarem de pele e alma nessa prévia.




Enquanto isso em Wakanda é um convite para o aquilombamento, pois sonho que se sonha só não se torna realidade, já dizia o poeta. Então, venham construir Wakanda conosco, venha para esse evento que iniciará um novo circuito e um novo modelo de festa para gente preta em nosso Estado. Venham viver esse sonho.


Afrofuture-se!


Wakanda mandou te chamar.

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https://www.sympla.com.br/enquanto-isso-em-wakanda---previa-afropernambucana__760974



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